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Pâmela Cássia Ramos, mãe de dois alunos da escola, mostra as infiltrações e problemas com reboco Pâmela Cássia Ramos, mãe de dois alunos da escola, mostra as infiltrações e problemas com reboco (reprodução)
08
Fevereiro

Risco de acidente por má conservação ronda alunos de escola em Realengo

  Geraldo Ribeiro
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Na volta às aulas, um problema antigo preocupa os pais dos alunos da Escola Municipal Senador Camará, em Realengo, na Zona Oeste do Rio: a má conservação da unidade que atende cerca de 300 estudantes. Infiltrações e reboco solto são a principal ameaça aos estudantes, na opinião dos responsáveis, que ficaram ainda mais alarmados depois da queda do portão da Escola Municipal Amazonas, em Campo Grande, resultando na morte do menino Matheus Almeida de Moraes Cele, de três anos, na última sexta-feira.

A dona de casa Lidiane Gomes, de 25 anos, que tem dois filhos gêmeos, de cinco anos, matriculados na educação infantil, contou que em dezembro, pouco antes do recesso de fim de ano, uma ventania fez voar a tampa da caixa de água, que caiu na frente da escola. Por sorte, não havia ninguém no local. 

— Podia ter ferido uma criança. A situação é mais grave justamente nos corredores, por onde os alunos passam para ir para as salas de aula. Tenho medo de aconteceu um acidente, com a queda de um reboco, por exemplo — afirma, a mãe, que na infância estudou na mesma escola.

Vídeo feito por um dos responsáveis aponta os vários problemas da unidade. As imagens mostram ainda a cozinha sendo improvisada na secretaria, obrigando os alunos a comer nas salas de aula. Os pais alegam que uma obra na cozinha e banheiros, iniciada em fevereiro do ano passado, foi suspensa em outubro antes de ser concluída. Eles teriam sido informados pela direção que a empresa vencedora da licitação teve o contrato rompido pela prefeitura.

— Há cerca de duas semanas fomos informados que quando as aulas retornassem a escola estaria diferente, mas nada mudou. A única diferença é que retiraram o entulho que estava na quadra e impedia o seu uso pelos estudantes — relata a dona de casa Pâmela Cássia Ramos, de 28 anos, mãe de dois alunos de quatro e sete anos. 

Escola, em Realengo, na Zona Oeste, atende cerca de 300 alunos
Escola, em Realengo atende cerca de 300 alunos

O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) não tem um levantamento do estado de conservação das escolas da rede, porém adiantou que os problemas com má conservação das escolas são mais frequentes na Zona Oeste, onde está concentrada a maior parte das unidades.

— A gente entende que o governo está começando, mas é importante resolver essas questões para que não ocorram acidentes como o da escola de Campo Grande — afirmou a coordenadora do Sepe, Marta Moraes.

A Secretaria municipal de Educação informou, por meio de nota, que apenas as obras de revitalização da cozinha e a pintura externa da unidade não foram concluídas a tempo do início das aulas. O texto diz ainda que as obras de conclusão da revitalização da unidade serão iniciadas esta semana. "Todo o mobiliário já foi entregue e arrumado, além da sala de informática com novos computadores, os bebedouros foram reinstalados e e os espaços externos já foram liberados", informou o órgão.

Ainda de acordo com a secretaria "as obras previam também a construção de novos banheiros, troca de telhas danificadas e reparos nas salas de aula (novo emboço e pintura interna). Esse trabalho já foi concluído pela empresa Serve Rio, que teve o contrato rescindido pela Riourbe por não atendimento a algumas cláusulas do contrato."

“Nossa rede municipal de ensino é do tamanho das redes de muitos países: cerca de 650 mil alunos, 1.537 escolas. É impossível saber de tudo que foi feito, ou deixou de ser feito, caso de obras de conservação, em um mês. Nossa posse foi em 2 de janeiro” conclui a nota. 

Obras do refeitório e cozinha foram iniciadas, mas estão paralisadas
Obras do refeitório e cozinha foram iniciadas, mas estão paralisadas (divulgação) 

Tragédia anunciada em Campo Grande

A má conservação do portão da escola Amazonas, em Campo Grande, também na Zona Oeste, que causou a morte do menino Matheus Almeida de Moraes Cele, de três anos, poderia ter sido evitada. A estrutura despencou e atingiu o menino, na última sexta-feira. Ele estava em companhia do pai e brincava no local, na hora do acidente.

Segundo moradores, o acidente foi um tragédia anunciada. Eles contam que o problema com o portão era antigo. O próprio Tribunal de Cotas do Município já havia identificado o risco e alertado a prefeitura para o risco, há mais de um ano, após inspeção feita no local.

"A unidade tem sofrido com problemas relacionados ao muro. Quedas de reboco, ferragens expostas, blocos de concreto na parte superior do muro que estão totalmente soltos e a estrutura que dá sustentação ao portão de ferro da garagem comprometida em razão da queda do reboco”, informoava o relatório feito por técnicos do TCM.

No dia do acidente a Secretaria municipal de Educação, Esportes e Lazer divulgou uma nota informando que "aparentemente houve um desgaste imperceptível dos apoios, o que culminou com o tombamento (do portão)."

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