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Convidada para estudar balé nos EUA, jovem de Campo Grande depende de apoio financeiro para fazer a viagem (fotos: Nina Lima)
07
Outubro

Convidada para estudar balé nos EUA, jovem de Campo Grande depende de apoio financeiro para fazer a viagem

  Nathália Marsal
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A caixinha de música em cima da escrivaninha branca guarda um sonho: ser bailarina e se apresentar no clássico “O lago dos cisnes”. Por muitas vezes, Manoela Leopoldino, de 15 anos, olhou para o bibelô e pensou no futuro. Ela começou a fazer balé aos 4 anos e há dois meses foi convidada para estudar na escola de dança Jofrey Ballet School, em Nova York, nos Estados Unidos.

A vontade é grande, mas o dinheiro é pouco. Moradora de Campo Grande, ela precisa juntar aproximadamente R$ 32 mil, por semestre, para ir e se manter na escola. Por isso, a viagem ainda é uma incerteza.

Caso consiga, não será a primeira vez que Manoela vai ao exterior estudar. A adolescente fez um curso de duas semanas, em 2013, na Miami City Ballet, nos Estados Unidos. Ela chegou a ser chamada para a Alvin Ailey American Dance, em setembro, mas não viajou. O motivo também foi a falta de recursos:

— Quando era mais nova, achava que o balé seria só uma atividade complementar. Mas, de repente, a coisa foi ficando séria. Já parei para pensar se o que estou fazendo é o caminho. Aí eu lembro que é isso que eu gosto, e o medo passa.

Manoela sabe exatamente onde quer chegar. A adolescente tem vontade de dançar numa grande companhia e montar uma escola de balé para ensinar jovens como ela. Enquanto o sonha não se concretiza, a bailarina treina com a sua irmã, Mariah, de 4 anos.

Convite surgiu após quatro rejeições

O convite para embarcar no dia 25 de janeiro veio após a bailarina ser rejeitada em algumas audições. Manoela não passou nos testes para entrar na companhia do Teatro Municipal do Rio, nem para a escola Miami City Ballet.

Mas, com garra, ela já se apresentou em espetáculos como “Sonho de uma noite de verão”, no Teatro Carlos Gomes, “Bela adormecida”, no Imperator, e “Aladim”, no Teatro Municipal de Taubaté, em São Paulo. Graças aos conselhos da mãe, Simone Alves Machado, de 37 anos.

A adolescente conta que tem como inspiração para a carreira a bailarina americana Misty Copeland, mas o aprendizado para a vida fica por conta da matriarca da família.

— Ela me ensina, principalmente, que eu não posso desistir. Diz que eu tenho que ser humilde para chegar a algum lugar. Minha mãe está sempre presente — conta a menina, que tem também um irmão, de 13 anos.

Mãe faz as tiaras e os tutus

Sempre que pode, Simone acompanha a filha nos eventos e ajuda a menina a se arrumar. Mas o principal momento é quando a funcionária pública produz as tiaras, acrescenta detalhes nas sapatilhas, nos tutus (saia com armação da bailarina) ou até mesmo costura uma roupa.

— Comecei a fazer para economizar mesmo. Coloco pedras em sapatilhas, tiaras ou nas saias lisas. Tudo pode ser aproveitado — brinca Simone, que já pagou cerca de R$ 1 mil em um figurino.

Por isso, mãe e filha guardam tudo. No armário, mais de 20 sapatilhas gastas, 30 tutus que já foram usados e pedaços de tecidos. Figurinos desde que a menina era muito pequena. Há alguns anos, Simone aprendeu mais um truque para juntar dinheiro e pagar as despesas com o balé da filha. Quando precisa ir a São Paulo acompanhar a bailarina, compra figurinos, roupas e acessórios para revender:

— Comecei comprando para ela, depois vi que dava para ganhar um dinheiro.

Alimentação regrada e pouca badalação

Cursando o 1º ano do ensino médio, Manoela não tem uma vida comum como a de qualquer adolescente. Com ensaios de seis horas no Centro de Artes e Dança de Campo Grande, em época de apresentação a jovem não consegue ir a muitas festas com os amigos da escola. A intensidade nos espetáculos é tanta que Manoela gasta uma meia-calça por dia. Um par de sapatilhas só dura duas semanas.

Além disso, a alimentação é regrada. A dançarina costuma comer muito pão integral, suco e grande variedade de saladas.

— Quando me dá vontade, como alguma besteira. Mas não pode ser sempre — frisa ela, que diz ganhar gordura com facilidade na perna e na bumbum.

Manoela passou a levar mais a sério a dança após o seu pai começar a apresentar sintomas de esclerose múltipla, há seis anos. A família viajou muito em busca de tratamentos e a menina chegou a abandonar o balé por um tempo. Quando a situação dele estabilizou, a jovem voltou com força total:

— Ele ficou muito feliz.

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